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Até que enfim...
Caro Internauta, como já é do conhecimento de todo o mundo, o Governo Lula não defende os interesses brasileiros no exterior. O Ditador da Venezuela já zombou da gente e o Governo Lula não fez nada; o Caudilho da Bolívia já causou humilhação e prejuízo à Petrobrás e ficou por isso mesmo. Agora o Equador, com seu Ditadorzinho... Graças a Deus, parece que o Governo brasileiro, dessa vez vai fazer alguma coisa. O Presidente do Paraguai, outro populista de esquerda, também já está armando o golpe contra o Brasil... Ou o Governo Lula se impõe e coloca seus compadrios ideológicos de lado, defendendo o Povo brasileiro e a dignidade de nossa Nação, ou o Brasil vira a Geni da América Latina... Que inveja eu tenho dos Estados Unidos, que têm governos – democratas ou republicanos – que amam seu país e defendem seus interesses! Segue uma matéria para que você acompanhe um pouco a situação:
 O Presidente do Equador: populista demagogo.
É cria de Chávez e amigo das FARCs, os terroristas da Colômbia.
O presidente do Equador, Rafael Correa, disse neste sábado que está muito sentido com a decisão do Brasil de chamar seu embaixador em Quito para consultas, mas reafirmou que não recuará no processo iniciado em um tribunal de Paris para impugnar a dívida equatoriana com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Correa conversou por telefone na manhã de hoje com Luiz Inácio Lula da Silva e disse que "independentemente do carinho que tem pelo Brasil, não vai deixar que ninguém engane seu país".
Com decisão inédita sob Lula, Itamaraty manda duro recado diplomático a Correa
Lula diz a Correa que estuda saída para disputa, informa fonte
"O Brasil nos retira seu embaixador e esta medida nos entristece muito, como dissemos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele tem nosso respeito, compartilhamos isto, mas não vamos recuar na defesa dos interesses do país, custe o que custar", revelou Correa em seu programa nacional de rádio e TV.
"Não entendemos o motivo deste incidente diplomático por algo que é um problema claramente comercial e financeiro (...) Não há que brigar com o Brasil, mas se este é o caso, que cada um assuma a sua responsabilidade".
Brasília convocou para consultas seu embaixador em Quito, Antonino Marques Porto, após a decisão de Correa de iniciar um processo internacional para não pagar o empréstimo de 243 milhões de dólares tomado com o BNDES para a construção de uma hidrelétrica pela brasileira Odebrecht.
"Iniciamos o processo jurídico para denunciar o crédito à Odebretch" na Câmara de Comércio Internacional de Paris, anunciou Correa na quinta-feira, durante a divulgação de resultados de uma auditoria sobre a dívida externa equatoriana.
O BNDES financiou a construção da hidrelétrica de San Francisco, que interrompeu suas operações por falhas técnicas apenas um ano depois da conclusão da obra. Devido ao problema, Correa decidiu expulsar a Odebrecht do país.
Segundo o governo do Equador, o dinheiro foi fornecido à construtora pelo BNDES, e Quito considera que a dívida não é de sua responsabilidade.
Neste sábado, Correa disse que "diante da polêmica, recorreu à arbitragem em Paris", mas destacou que "não houve uma suspensão de pagamento".
Na sexta-feira, a chancelaria equatoriana deplorou a decisão do Brasil de chamar seu embaixador e defendeu que a polêmica envolvendo o BNDES seja "resolvida pelos canais jurídicos (...) sem que esta situação afete as excelentes relações existentes" entre os dois países.
Além de chamar seu embaixador em Quito, o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que o Brasil analisará outras ações e vai examinar a cooperação com o Equador.
 Sede do BNDES: Não é do Lula; é do Povo; é nosso!
Observação minha: O dinheiro do BNDES é do Povo brasileiro. O calote é no Povo brasileiro, em mim e em você... É o dinheiro do nosso imposto. Rafael Correa é um populista demagogo; está em campanha eleitoral e deseja posar de durão às nossas custas... Eu ainda acho que o Governo Lula, no fim, vai abrir... Não sai do bolso do Presidente... Sai do nosso... Quem sabe tratar bem esse pessoal é o Presidente Uribe, da Colômbia. Esse sim, tem peito para defender seu povo e sua pátria...
 Álvaro Uribe, da Colômbia:
enfrentou Chávez, desmoralizou Correa e está destruindo as FARCs.
Categoria: Análises
Escrito por Pe. Henrique às 19h40
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O templo interior seja belo quanto o de pedra!
Da Oração para a bênção de uma igreja da liturgia oriental:
Quando três se reúnem em teu nome (Mt 18,20), eles já formam uma igreja. Olha os milhares aqui reunidos: os seus corações prepararam um santuário antes que as nossas mãos construíssem este à glória do teu nome. Que o templo interior seja tão belo como o templo de pedras. Concede-nos habitar num como no outro; os nossos corações como estas pedras estão marcados com o teu nome.
A força todo-poderosa de Deus teria podido construir uma morada para si mesma de uma forma tão fácil como a que usou para, com um gesto, dar existência ao universo. Mas Deus construiu o homem a fim de que o homem construísse moradas para ele. Bendita seja a sua clemência que nos amou tanto! Ele é infinito; nós somos limitados. Ele construiu para nós o mundo; nós construímos-lhe uma casa. É admirável que o homem possa construir uma morada ao Todo-poderoso presente em tudo, a quem ninguém saberá escapar.
Ele habita no meio de nós com ternura; ele atrai-nos com laços de amor; ele permanece no meio de nós e chama-nos para que tomemos o caminho do céu para habitarmos com ele. Ele deixa a sua morada e escolhe a Igreja para que nós abandonemos a nossa morada e escolhamos o paraíso. Deus habitou no meio dos homens para que os homens encontrem Deus.

Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 01h23
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Temas da Epístola aos Romanos - I
Caro Internauta, partilho uma série de três meditações minhas sobre trechos da Epístola aos Romanos, feitas por ocasião da renovação dos votos de uma congregação religiosa. Boa leitura; bom proveito!
1. Fomos justificados em Cristo
Rm 5,1-11
1 Tendo sido, pois, justificados pela fé, estamos em paz com Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, 2 (...) e nos gloriamos na esperança da glória de Deus. 3 E não é só. Nós nos gloriamos também nas tribulações, sabendo que a tribulação produz a perseverança, 4 a perseverança uma virtude comprovada, a virtude comprovada a esperança. 5 E a esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.
6 Foi, com efeito, quando ainda éramos fracos que Cristo, no tempo marcado, morreu pelos ímpios. - 7 Dificilmente alguém dá a vida por um justo; por um homem de bem talvez haja alguém que se disponha a morrer. - 8 Mas Deus demonstra seu amor para conosco pelo fato de Cristo ter morrido por nós quando éramos ainda pecadores. 9 Quanto mais, então, agora, justificados por seu sangue, seremos por ele salvos da ira. 10 Pois se quando éramos inimigos fomos reconciliados com Deus pela morte do seu Filho, muito mais agora, uma vez reconciliados, seremos salvos por sua vida. 11 E não é só. Mas nós nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, por quem desde agora recebemos a reconciliação.
+++++
1. A primeira experiência do cristão é que ele era filho da ira. Criado bom por Deus, o ser humano foi degenerado pelo pecado. Ainda hoje podemos ver isso no mundo que nos cerca e encontramos resquícios em nós mesmos, no nosso coração. Sozinhos, não podemos voltar para o Senhor: não podemos jamais merecer a salvação: criados por Deus e para Deus, tornamo-nos incapazes de Deus e, portanto, radicalmente frustrados em nosso ser.
2. Mas, esta nossa situação miserável não pode ser descoberta naturalmente. Somente por nós, achamo-nos na medida (e pensamos que a medida é a nossa medida!). Sem Cristo não somente estamos perdidos, como também sequer nos damos contas dessa perdição. É a situação do mundo atual... No entanto, os sintomas desse estado de morte aparecem numa vida de morte e numa cultura com fortes traços de morte e insatisfação. Ora, somente quando cravamos o olhar no Crucificado que venceu a morte é que temos uma idéia do que éramos, do que somos capazes e de que situação o Senhor nos libertou. Se o mundo hoje se sente tão contente consigo mesmo é porque não se mede pela cruz, mas por si próprio... No Crucificado, descobrimos como somos feridos e necessitados de salvação; no Ressuscitado descobrimos o que Deus pensou para nós desde o início e o que perdemos por nossa culpa.
3. Na sua misericórdia, o Pai deu-nos Jesus como Salvador – e no-lo deu quando ainda pecadores, por pura graça: radicalmente, não merecemos nada diante de Deus, não temos direito a nada! Mas, porque gratuitamente o Pai enviou o Filho, todo aquele que nele crê recebe a justificação (é tornado justo, amigo de Deus, vivendo em paz com ele) no Batismo e, consequentemente, se torna herdeiro do céu. Assim, nós podemos nos gloriar na firme esperança da glória de Deus. Em outras palavras: a glória, a vida plena que Deus possui, torna-se, novamente nossa herança, uma possibilidade real para nós!
4. Os votos religiosos são expressão dessa adesão a Cristo pela fé (= em ti eu creio com todo o meu coração; de ti me reconheço devedor e mendigo; de ti me sei necessitado; a ti entrego inteiramente a minha vida em total despojamento de mim mesmo pela pobreza, castidade e obediência). Desse modo, a vivência dos votos não pode não tender para uma radicalidade, pois trata-se de exprimir com a vida uma entrega total e absoluta ao Senhor que nos salva do vazio e da perdição de uma vida sem Deus. Os votos não são um prática a realizar, mas um modo de viver a vida com Deus, em total entrega a ele precisamente porque ele salva a minha vida do nada! Somente um crente, um pobre diante de Deus pode viver a vida na dinâmica profunda dos votos! E esta realidade deve ser vivida como pura graça de Deus: nada dou realmente porque tudo recebi como graça: o que dou, na verdade devolvo como sacrifício de louvor ao Senhor da minha vida. Os antigos monges viam sua vocação religiosa como um ato de misericórdia do Senhor que tirou seu fiel do mundo de perdição em que se encontrava, para colocá-lo a salvo na sua tenda e nos muros da comunidade religiosa. O religioso deveria ver-se como alguém agraciado, salvo de sua própria ruína graças ao sangue do Filho amado. E os votos são o modo de exprimir a gratidão Àquele que deu tudo (= entregou a vida) para nos (para me) salvar.
5. A vida nova em Cristo (e a vivência dos votos como expressão dela) não é obra simplesmente nossa nem é um simples estado de espírito, uma emoção. É ação primeiramente do Santo Espírito de Cristo em nós, que nos atrai para as coisas de Deus, que nos faz saboreá-las com os sentimentos do Cristo Jesus, e nelas encontrar alegria de uma vida eterna, vida de glória de Deus, que já começa realmente aqui. Como dizia Agostinho: “Chamaste, clamaste e rompeste minha surdez; brilhaste, resplandeceste e afugentaste minha cegueira. Exalaste perfume e respirei. Agora anelo por ti. Provei-te, e tenho fome e sede. Tocaste-me e ardi por tua paz”.
6. Impelidos e sustentados pelo Espírito de Jesus Cristo, sendo dóceis à sua graça em nós, que nos atrai, passamos a vivenciar, unidos a Cristo e por amor de Cristo, até mesmo as tribulações da vida: elas terminam por fortalecer-nos na perseverança e confirmar nossa esperança (em Deus somente e não em nós!) que não decepciona! Tal ação é obra do Espírito em nós, desde que lhe sejamos dóceis... Tudo, então, passa a ser vivido por nós como graça: éramos perdidos e ele nos encontrou: deu-nos a fé, deu-nos o selo da vocação religiosa... Tudo isto é sinal de pura graça de fidelíssima predileção: “Se quando éramos inimigos fomos reconciliados com Deus pela morte do seu Filho, muito mais agora, uma vez reconciliados, seremos salvos por sua vida. E não é só. Mas nós nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, por quem desde agora recebemos a reconciliação”.
7. Para refletir:
- Na minha dinâmica espiritual, tenho consciência de que fui salvo? Tenho consciência de que a vida religiosa é um caminho de salvação? Experimento-a assim?
- Olhando para mim e para minhas tendências e paixões: que más tendências tentam me dominar? Como eu seria sem Cristo? Coloco tais tendências sob o Espírito do Cristo, fogo que ilumina, queima e transfigura?
- Tenho clara a consciência do dom da vocação cristã e religiosa como caminho de salvação de mim mesma e do meu pecado? Vejo que a vida religiosa é um caminho de combate espiritual, seja na oração, seja no trabalho, seja na vida fraterna?
- Tenho consciência da presença do Espírito que me garante/faz experimentar a glória da vida divina que já me habita e possui?
- Nos sofrimentos e tribulações me glorio em Deus por Jesus Cristo, que me salvou da morte do pecado?
Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 00h11
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Temas da Epístola aos Romanos - II
2. Somos chamados a uma vida nova em Cristo
Rm 6,1-13
1 Que diremos, então? Que devemos permanecer no pecado a fim de que a graça atinja sua plenitude?
2 De modo algum! Nós, que morremos para o pecado, como haveríamos de viver ainda nele?
3 Ou não sabeis que todos os que fomos batizados em Cristo Jesus, é na sua morte que fomos batizados?
4 Portanto pelo batismo nós fomos sepultados com ele na morte para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também nós vivamos vida nova.
5 Porque se nos tornamos uma coisa só com ele por uma morte semelhante à sua, seremos uma coisa só com ele também por uma ressurreição semelhante à sua, 6 sabendo que nosso velho homem foi crucificado com ele para que fosse destruído este corpo de pecado, e assim não sirvamos mais ao pecado.
7 Com efeito, quem morreu, ficou livre do pecado.
8 Mas se morremos com Cristo, temos fé que também viveremos com ele, 9 sabendo que Cristo, uma vez ressuscitado dentre os mortos, já não morre, a morte não tem mais domínio sobre ele. 10 Porque, morrendo, ele morreu para o pecado uma vez por todas; vivendo, ele vive para Deus.
11 Assim também vós considerai-vos mortos para o pecado e vivos para Deus em Cristo Jesus.
12 Portanto, que o pecado não impere mais em vosso corpo mortal, sujeitando-vos às suas paixões; 13 nem entregueis vossos membros, como armas de injustiça, ao pecado; pelo contrário, oferecei-vos a Deus como vivos provindos dos mortos e oferecei vossos membros como armas de justiça a serviço de Deus.
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1. O cristão, foi libertado por Cristo da situação de pecado: no Batismo, tendo recebido a água do Espírito, é curado do fechamento que herdamos pelo simples fato de sermos humanos. Já não somos inimigos de Deus, mas seus filhos, pois temos em nós o Espírito do Filho. Realmente, os batizados em Cristo são uma nova criatura. Este ser nova criatura não é, contudo, garantia, de uma vida realmente santa. A nova criatura que somos convive com a concupiscência, com o desequilíbrio deixado pelo pecado em nós. Somos novas criaturas, vivemos uma vida centrada em Cristo, mas é necessário exprimir esta realidade na vida concreta. E isto não se faz sem luta – e luta de morte e vida!
2. O desafio é agora exprimir na vida, na existência esta situação nova. Em outras palavras: devemos nos tornar na prática da existência o que somos pela graça; do contrário, toda liberdade cristã não passaria de mentira e ilusão que escraviza, e toda a maturidade cristã não passaria de infantilidade pecaminosa. Por isso São Paulo nos previne: “Nós, que morremos para o pecado, como haveríamos de viver ainda nele? Ou não sabeis que todos os que fomos batizados em Cristo Jesus, é na sua morte que fomos batizados?” A idéia é forte: mergulhados nas águas do Batismo – símbolo do Espírito Santo – o cristão foi morto e sepultado com Cristo para uma humanidade antiga, viciada pelo pecado e radicalmente fechada para Deus. Fomos batizados (= mergulhados) na morte de Cristo. Este processo iniciado realmente no rito batismal deve continuar durante toda a nossa vida: mergulhados na morte de Cristo em cada morte da vida, em cada negação do pecado em nós, e mergulhados na morte de Cristo em cada morte para o pecado, de modo constante, fiel, na vida miúda: morro continuamente com Cristo – deveria sempre dizer o cristão.
3. Mas, atenção: Este processo de morrer não é algo masoquístico! Morro para viver: morro com Cristo a morte de Cristo para viver com Cristo a vida de Cristo: “Portanto pelo batismo nós fomos sepultados com ele na morte para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai (= pelo Espírito Santo), assim também nós vivamos vida nova”. Esta vida nova de que nos fala o Apóstolo não é somente uma vida nova no sentido moral, de sentimento, de comportamento e de piedade. É, primeiramente e sobretudo, a vida nova no nosso próprio ser, que vai deixando que aja em nós o Espírito recebido no Batismo, dando-nos, então, a vida eterna que teremos, um dia, em plenitude! No Batismo algo realmente morreu em nós: o homem velho, com sua natureza meramente no nível da criação, natureza ferida pelo pecado de Adão e fechada em si mesma. No Batismo, recebendo o Espírito Santo, nossa natureza tornou-se novamente capaz de comunhão com Deus por meio de Jesus Cristo nosso Senhor. Nós já não somos filhos da ira, mas filhos de Deus. No caso da vida religiosa, tudo isto é vivenciado num nível emotivo, místico, existencial pela profissão dos votos. Na verdade esses votos querem significar o seguinte: eu quero viver a vida nova recebida no Batismo e exprimo essa novidade de vida pela prática da pobreza, da castidade e da obediência como modo de deixar que o Espírito aja em mim e me conceda os sentimentos e atitudes do Cristo Jesus. Os votos são, portanto, uma vivência do Batismo; são expressão da vida batismal que o Senhor me doou por pura graça!
4. Aprofundemos mais este pensamento caro a São Paulo e importantíssimo para nós. Eis suas palavras: “Porque se nos tornamos uma coisa só com ele por uma morte semelhante à sua, seremos uma coisa só com ele também por uma ressurreição semelhante à sua” – Atenção: Desde o nosso Batismo nós realmente vamos nos tornando uma só coisa com Cristo na sua morte (e a vida religiosa aprofunda esse processo: a vida religiosa é uma vida de “morte com Cristo”!). Aquela morte ao homem velho iniciada e realizada no Batismo, eu devo ir fazendo penetrar em todos os âmbitos da minha vida, de modo que em tudo devo ir dizendo: “Morro com Cristo, morro da morte de Cristo!” Morro para minhas vontades, morro para minhas posses, morro para meus apegos, morro para minhas tendências pecaminosas, morro para tudo quanto me prende a mim e me impede de correr para Cristo... Mas, ao mesmo tempo em que morro com Cristo – morro para mim do meu modo, morro para minhas concupiscências – vou, simultaneamente, ressuscitando com Cristo e como Cristo: uma nova humanidade vai sendo plasmada em mim; aquela humanidade nova que recebi no Batismo e alimento na Eucaristia vai tomando conta de mim e em mim vai se manifestando. Vou, então, tornando-me nova criatura, a ponto de que quem olha para mim possa dizer: “Como ele parece com Jesus, como lembra Jesus, como suas atitudes são as de Jesus!”
5. Por isso, o Apóstolo diz: “Sabendo que nosso velho homem foi crucificado com ele para que fosse destruído este corpo de pecado, e assim não sirvamos mais ao pecado. Com efeito, quem morreu, ficou livre do pecado”. – É uma afirmação profunda e ousada, mas realíssima! Nosso velho homem morreu, nossa natureza humana entregue a si própria, com suas manias, feridas e taras deve morrer (morreu no Batismo e deve morrer na existência diária), crucificado com Cristo e, assim, este corpo de pecado deve ir sendo destruído. Que é um corpo de pecado? É nossa natureza humana assim como veio ao mundo: ferida pelo pecado e entregue à concupiscência. À medida que vamos deixando que a morte de Cristo trabalhe em nós por obra do Espírito Santo, vamos vivendo realmente a vida de Cristo e vamos ficando livres do pecado... E isto tudo para viver em Cristo e com Cristo: “Mas se morremos com Cristo, temos fé que também viveremos com ele, sabendo que Cristo, uma vez ressuscitado dentre os mortos, já não morre, a morte não tem mais domínio sobre ele”. Como a morte, salário do pecado, já não tem mais algum poder sobre Cristo, também nós, já aqui na terra, na medida em que vamos nos conformando a Cristo, vamos superando a morte de pecado, vamos trazendo em nós a vida nova de Cristo e vamos deixando crescer em nós aquela vida que durará por toda a eternidade: vida de Cristo, que é o próprio Espírito Santo que habita em nós. Assim, nosso caminho é o mesmo de Cristo: “Morrendo, ele morreu para o pecado uma vez por todas; vivendo, ele vive para Deus”. Em outras palavras: morrendo para esta vida meramente humana, Cristo agora está vivo de uma vida nova, glorificado para sempre. Também nós, morrendo para a vida simplesmente terra-terra, vivemos já agora e, um dia, para sempre, a vida nova, a vida da glória sem fim, vida que é fruto da presença do Espírito de Cristo em nós. Daí a exortação do Apóstolo: “Assim também vós considerai-vos mortos para o pecado e vivos para Deus em Cristo Jesus”.
6. Mas, atenção: isto não se realiza sem dor: não se nasce sem dor! E tudo isto o religioso exprime pela vivência e prática dos votos. Eles são o modo concretíssimo (e por vezes doloroso) de unir a Cristo pobre, casto e obediente, no processo de morte e ressurreição. Assim, que uma vida de infidelidade aos votos seria uma recusa de morrer com Cristo para a vida velha e, portanto, a incapacidade de ressuscitar para uma vida nova, transfigurada em Cristo Jesus! Quando a Igreja centraliza a vida religiosa nos votos, na verdade a centraliza em Cristo, modelo, motivo e finalidade da pobreza, de castidade e da obediência. No fundo, na vida religiosa há um voto só: ser como Jesus, deixar-se plasmar por obra do seu Espírito, até que se traga Cristo em si e a sua nova vida habite o coração e a existência do consagrado, até que se possa dizer: “Já não sou eu quem vive; é Cristo que vive em mim!”
7. Agora, podemos compreender as palavras finais da São Paulo: “Portanto, que o pecado não impere mais em vosso corpo mortal, sujeitando-vos às suas paixões; nem entregueis vossos membros, como armas de injustiça, ao pecado; pelo contrário, oferecei-vos a Deus como vivos provindos dos mortos e oferecei vossos membros como armas de justiça a serviço de Deus”. Aí está: toda esta vida nova que o Senhor nos concedeu no Batismo e que devemos viver na vida exige uma verdadeira luta, um verdadeiro caminho de ascese e de disciplina interior. Somente sacrificando nosso velho homem como armas da injustiça (porque no homem velho o pecado domina), poderemos realmente oferecer-nos a Deus como armas da justiça, isto é, uma vida útil e valiosa para o Reino de Deus. Vivendo assim, viveremos de verdade, como vivos em Cristo vindos de uma vida que seria de morte, porque vida sem o Cristo Jesus!
8. Para refletir:
- Tenho consciência de que a vida cristã é vida nova em Cristo? Procuro combater em mim o que é resquício do homem velho?
- Que paixões preciso combater para ser vivo em Cristo? Sou realmente vivo provindo dos mortos ou, continuo morto ainda que pareça estar vivo?
- Meus votos tem sido expressão da minha vida nova em Cristo?
- Tenho feito de minha existência cristã e religiosa uma oferta a Deus, por Cristo, no Espírito?
- Ler Rm 7,15-24
Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 00h10
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Temas da Epístola aos Romanos - III
3. Somos já transfigurados no Espírito de Cristo
Rm 8,1-3. 5-17
1 Portanto, não existe mais condenação para aqueles que estão em Cristo Jesus. 2 A Lei do Espírito da vida em Cristo Jesus te libertou da lei do pecado e da morte. 3 De fato (...) Deus, enviando o seu próprio Filho numa carne semelhante à do pecado e em vista do pecado, condenou o pecado na carne (...). 5 Com efeito, os que vivem segundo a carne desejam as coisas da carne, os que vivem segundo o espírito, as coisas que são do espírito. 6 De fato, o desejo da carne é morte, ao passo que o desejo do espírito é vida e paz, 7 uma vez que o desejo da carne é inimigo de Deus: pois ele não se submete à lei de Deus, e nem o pode, 8 pois os que estão na carne não podem agradar a Deus.
9 Vós não estais na carne, mas no espírito, se é verdade que o Espírito de Deus habita em vós, pois quem não tem o Espírito de Cristo não pertence a ele. 10 Se, porém, Cristo está em vós, o corpo está morto, pelo pecado, mas o Espírito é vida, pela justiça. 11 E se o Espírito daquele que ressuscitou Jesus dentre os mortos habita em vós, aquele que ressuscitou Cristo Jesus dentre os mortos dará vida também a vossos corpos mortais, mediante o seu Espírito que habita em vós.
12 Portanto, irmãos, somos devedores não à carne para vivermos segundo a carne. 13 Pois se viverdes segundo a carne, morrereis, mas, se pelo Espírito fizerdes morrer as obras do corpo, vivereis.
14 Todos os que são conduzidos pelo espírito de Deus são filhos de Deus. 15 Com efeito, não recebestes um espírito de escravos, para recair no temor, mas recebestes um espírito de filhos adotivos, pelo qual clamamos: Abbá Pai! 16 O próprio Espírito se une ao nosso espírito para testemunhar que somos filhos de Deus. 17 E se somos filhos, somos também herdeiros; herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo, pois sofremos com ele para também com ele sermos glorificados.
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1. Nós estamos livres do pecado porque Deus enviou o seu Filho numa carne semelhante à carne de pecado e, na carne, condenou o pecado! Em outras palavras: o Filho, assumindo a nossa condição carnal, de dentro da nossa própria condição destruiu nosso pecado: viveu como nós, tomou as conseqüências do nosso pecado e, morrendo como um de nós, morrendo de nossa morte, destruiu nossa situação de morte. Quanta solidariedade, quanta proximidade, quanta misericórdia do nosso Deus! Assumiu tudo quanto é nosso para nos dar o que é dele: assumiu nossa fragilidade e precariedade para nos dar sua vida divina, a plenitude do seu Espírito Santo! – Obrigado, Jesus, por tua filantropia! Obrigado, Amigo da humanidade, por te teres feito um de nós, um como nós, enchendo o nosso pó da tua vida divina! Porque vieste até nós e nos cumulaste com teu Espírito, fogo que queima e devora nossos pecados, já não há mais condenação para nós que estamos em ti; nós, que pela fé e o santo Batismo fomos inseridos no teu Corpo que é a Igreja.
2. No entanto, apesar de toda a graça salvífica que o Senhor nos concedeu, permanece, para nós, a tremenda possibilidade de jogar tudo isso fora. Efetivamente, mesmo para o cristão e para o religioso, há a real possibilidade de dois modos de viver: (1) A vida segundo o espírito (= espírito em nós é nossa sede de Deus, nossa abertura para o infinito, nossa capacidade de comunhão com Deus, que se manifesta no nosso corpo e na nossa alma). Assim, que viver segundo o espírito é viver aberto para o Espírito de Deus que Cristo nos concedeu e ser por ele guiado. (2) A vida segundo a carne, isto é, segundo a nossa natureza humana fechada em si mesma e dobrada sobre si própria, como se fosse autônoma e independente de Deus! Eis as palavras de São Paulo sobre isto: “Com efeito, os que vivem segundo a carne desejam as coisas da carne, os que vivem segundo o espírito, as coisas que são do espírito. De fato, o desejo da carne é morte, ao passo que o desejo do espírito é vida e paz, uma vez que o desejo da carne é inimigo de Deus: pois ele não se submete à lei de Deus, e nem o pode, pois os que estão na carne não podem agradar a Deus”. Em Gl 5,16-25 o Apóstolo enumera as obras da carne e os frutos do espírito: “Ora, eu vos digo, conduzi-vos pelo Espírito e não satisfareis os desejos da carne. Pois a carne tem aspirações contrárias ao espírito e o espírito contrárias à carne. Eles se opõem reciprocamente, de sorte que não fazeis o que quereis. Mas se vos deixais guiar pelo Espírito, não estais debaixo da lei (= da lei de Moisés e da lei do pecado). Ora, as obras da carne são manifestas: fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, feitiçaria, ódio, rixas, ciúmes, ira, discussões, discórdia, divisões invejas, bebedeiras, orgias e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos previno, como já vos preveni: os que tais coisas praticam não herdarão o Reino de Deus. Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, autodomínio. Contra estas coisas não existe lei. Pois os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne com suas paixões e seus desejos. Se vivemos pelo Espírito, pelo Espírito pautemos também a nossa conduta”. Claro que viver segundo a carne é, na prática, negar a graça batismal e tornar vã a graça de Deus em Cristo... E nós podemos fazer isso! Podemos sempre dizer sim ou não à salvação que Cristo nos conquistou com seu sangue precioso... Eis por que São Paulo nos previne: “Portanto, irmãos, somos devedores não à carne para vivermos segundo a carne. Pois se viverdes segundo a carne, morrereis, mas, se pelo Espírito fizerdes morrer as obras do corpo, vivereis”.
3. O cristão, habitado pelo Espírito de Cristo, não pode viver segundo a carne, segundo o corpo (isto é, segundo a natureza humana ferida pelo pecado, entregue a si mesma), segundo o pensamento e a sensibilidade do mundo: “Vós não estais na carne, mas no espírito, se é verdade que o Espírito de Deus habita em vós, pois quem não tem o Espírito de Cristo não pertence a ele”. A vida cristã – e, de modo especial, a vida religiosa – é vida pneumática, vida segundo o Espírito de Cristo, por ele sustentada e por ele transformada e impulsionada. O cristão deve ser um pneumatóforo, isto é, um portador do Espírito, que ilumina o mundo e o incandesce com a luz do Espírito de Cristo como tocha no meio da noite escura: “Brilhe a vossa luz diante dos homens!” – ordenou Jesus. Por isso mesmo toda a tradição mística da Igreja considera a vida religiosa como uma vida carismática, isto é, uma vida sustentada pelo Espírito de Cristo e segundo o Espírito de Cristo. Neste sentido os religiosos sempre foram chamados de “espirituais”, isto é, pessoas transfiguradas e conduzidas pelo Santo Espírito, sinais proféticos da santidade de toda a Igreja. Neste contexto, os votos são modos concretos de nos ajudar a não colocar obstáculos à ação do Espírito em nós e, ao mesmo tempo, de exprimir essa novidade de vida: pobre para testemunhar a riqueza do Reino que vem; casto para testemunhar o amor de Deus derramado em nossos corações pelo Espírito que nos foi dado e obediente para ser livre para o Reino do Senhor que há de se manifestar em glória.
4. Como se dá tudo isto? Como pode acontecer essa vida nova em nós? Escutemos o Santo Apóstolo: “Se, porém, Cristo está em vós, o corpo está morto, pelo pecado, mas o Espírito é vida, pela justiça”. Em outras palavras: se Cristo está em nós pela força do Santo Espírito, nossa humanidade de pecado finalmente está morta (e isto é o cumprimento no nível da nossa existência daquilo que já aconteceu no nosso santo Batismo) e esse mesmo Espírito Santo bendito nos enche da justiça (da santidade) que vem de Deus e nos faz plenos da vida nova em Cristo. Apesar de nossa natureza humana trazer ainda marcas de concupiscência, deixamo-nos conduzir pelo Espírito e nossas obras e atitudes exprimem essa vida nova no Espírito; seremos, então, novas criaturas, e experimentaremos já realmente o céu na terra! Atenção: Isto não é uma quimera, não é uma realidade distante de nós e a nós alheia, como algo destinado aos grandes santos! Se nos deixarmos agora guiar pelo Espírito, mortificando nossa carne, experimentaremos já a vida do céu. E os votos vividos fielmente são caminho concreto e seguríssimo para vivenciar já agora a vida que o Senhor haverá de nos conceder em plenitude. Aquele que é “espiritual” experimenta já agora os três grandes privilégios de que fala o Frei Inácio Larrañaga: a onipotência sem poder, a embriaguez sem vinho e a vida sem fim!
5. Unidos assim a Cristo no laço do seu Espírito, nosso destino não poderá ser outro que não o do próprio Cristo. Escutemos: “Se o Espírito daquele (Pai) que ressuscitou Jesus dentre os mortos habita em vós, aquele (Pai) que ressuscitou Cristo Jesus dentre os mortos dará vida também a vossos corpos mortais, mediante o seu Espírito que habita em vós”. Pensemos bem: o nosso destino final é a plena participação na vida de Deus, na plena glorificação, obra do Santo Espírito de Jesus, como participação na própria glória de Jesus ressuscitado. Todo o nosso esforço neste mundo, todo o nosso compromisso de cristãos deve-se a isso: à nossa firme esperança na recompensa eterna, na plena realização do nosso ser, no céu, onde todos os nossos desejos serão satisfeitos. Por isso vale a pena lutar, caminhar, perseverar, sendo fiéis às promessas de uma vida consagrada totalmente ao Senhor e expressa pelos votos. Santo Agostinho, pensando na grandeza do que nos espera e na dureza do caminho que ainda fazemos, assim escrevia: “Aqui embaixo, cantemos o Aleluia ainda apreensivos, para podermos cantá-lo lá em cima, tranqüilos. Por que apreensivos aqui? Não queres que eu esteja apreensivo, se leio: ‘Não é acaso uma tentação a vida humana sobre a terra?’ (Jó 7,1). Não queres que fique apreensivo, se me dizem outra vez: ‘Vigiai e orai para não cairdes em tentação?’ (Mt 26,41). Não queres que esteja apreensivo onde são tantas as tentações, a ponto de a própria oração nos ordenar: ‘Perdoai nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores?’ (Mt 6,12). Pedintes cotidianos; devedores cotidianos! Ainda aqui, no meio de perigos, de tentações, por outros e por nós seja cantado o Aleluia. Pois Deus é fiel e não permitirá serdes tentados além do que podeis (1Cor 10,13). Como será feliz lá o Aleluia! Quanta segurança! Nada de adverso! Onde ninguém será inimigo, não morre nenhum amigo. Lá, louvores a Deus; aqui, louvores a Deus. Mas, aqui apreensivos; lá tranqüilos. Aqui, dos que hão de morrer; lá, dos que sempre hão de viver. Aqui, na esperança; lá na bem-aventurança. Aqui, no caminho; lá, na pátria. Cantemos, portanto, agora, meus irmãos, não por deleite do repouso, mas para alívio do trabalho. Como costuma cantar o caminhante: canta, mas segue adiante; alivia o trabalho cantando. Abandona, pois, a preguiça. Canta e caminha! Que é isto, caminha? Vai em frente, adianta-te no bem! Segundo o Apóstolo, há quem progrida no mal! Tu, se progrides, caminhas. Mas, progride no bem, progride na fé, sem desvios, progride na vida santa. Canta e caminha!”
6. Para refletir:
- O Senhor Jesus assumiu minha carne de pecado. Nos meus cansaços e tédios, nos meus momentos difíceis e de desânimo, nas minhas provações e tristezas, tenho consciência de que sou chamado a participar da missão salvífica do meu Senhor?
- Que traços encontro em mim de vida segundo a carne e de vida segundo o espírito?
- Tenho sido dócil à voz do Espírito em mim? Tenho sido um pneumatóforo?
- Pense nisto: O Senhor me pede que mais uma vez, na renovação dos meus votos eu renove meu cântico de gratidão e confiança nele. É um cântico ainda a caminho, no exílio, de quem ainda não chegou na Pátria, mas vai firme, a caminho, na esperança de quem sabe aonde vai e na certeza de chegar.
Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 00h09
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Liturgia da Palavra para Cristo Rei - Ano A
Leitura da Profecia de Ezequiel (Ez 34,11-12.15-17)
11Assim diz o Senhor Deus: “Vede! Eu mesmo vou procurar minhas ovelhas e tomar conta delas. 12Como o pastor toma conta do rebanho, de dia, quando se encontra no meio das ovelhas dispersas, assim vou cuidar de minhas ovelhas e vou resgatá-las de todos os lugares em que foram dispersadas num dia de nuvens e escuridão.
15Eu mesmo vou apascentar as minhas ovelhas e fazê-las repousar — oráculo do Senhor Deus. 16Vou procurar a ovelha perdida, reconduzir a extraviada, enfaixar a da perna quebrada, fortalecer a doente, e vigiar a ovelha gorda e forte. Vou apascentá-las conforme o direito.
17Quanto a vós, minhas ovelhas — assim diz o Senhor Deus —, eu farei justiça entre uma ovelha e outra, entre carneiros e bodes”.
Salmo responsorial (Sl 22)
O Senhor é o pastor que me conduz;
não me falta coisa alguma.
Pelos prados e campinas verdejantes
ele me leva a descansar.
Pelas águas repousantes me encaminha,
e restaura as minhas forças.
Preparais à minha frente uma mesa,
bem à vista do inimigo,
e com óleo vós ungis minha cabeça;
o meu cálice transborda.
Felicidade e todo bem hão de seguir-me
por toda a minha vida;
e, na casa do Senhor, habitarei
pelos tempos infinitos.
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios (1Cor 15,20-26.28)
Irmãos: 20Na realidade, Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram. 21Com efeito, por um homem veio a morte, e é também por um homem que vem a ressurreição dos mortos.
22Como em Adão todos morrem, assim também em Cristo todos reviverão. 23Porém, cada qual segundo uma ordem determinada: Em primeiro lugar, Cristo, como primícias; depois, os que pertencem a Cristo, por ocasião de sua vinda. 24A seguir, será o fim, quando ele entregar a realeza a Deus-Pai, depois de destruir todo principado e todo poder e força. 25Pois é preciso que ele reine, até que todos os seus inimigos estejam debaixo de seus pés. 26O último inimigo a ser destruído é a morte.
28E, quando todas as coisas estiverem submetidas a ele, então o próprio Filho se submeterá àquele que lhe submeteu todas as coisas, para que Deus seja tudo em todos.
Aleluia, aleluia, aleluia! (Mc 11,10)
É bendito Aquele que vem vindo,
que vem vindo em nome do Senhor;
e o Reino que vem seja bendito;
ao que vem e ao seu Reino, o louvor!
Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus (Mt 25,31-46)
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 31“Quando o Filho do Homem vier em sua glória, acompanhado de todos os anjos, então se assentará em seu trono glorioso.
32Todos os povos da terra serão reunidos diante dele, e ele separará uns dos outros, assim como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. 33E colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda.
34Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: ‘Vinde, benditos de meu Pai! Recebei como herança o Reino que meu Pai vos preparou desde a criação do mundo! 35Pois eu estava com fome e me destes de comer; eu estava com sede e me destes de beber; eu era estrangeiro e me recebestes em casa; 36eu estava nu e me vestistes; eu estava doente e cuidastes de mim; eu estava na prisão e fostes me visitar’.
37Então os justos lhe perguntarão: ‘Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer? Com sede e te demos de beber? 38Quando foi que te vimos como estrangeiro e te recebemos em casa, e sem roupa e te vestimos? 39Quando foi que te vimos doente ou preso e fomos te visitar?’
40Então o Rei lhes responderá: ‘Em verdade eu vos digo que todas as vezes que fizestes isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizestes!’
41Depois o Rei dirá aos que estiverem à sua esquerda: ‘Afastai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno, preparado para o diabo e para os seus anjos. 42Pois eu estava com fome e não me destes de comer; eu estava com sede e não me destes de beber; 43eu era estrangeiro e não me recebestes em casa; eu estava nu e não me vestistes; eu estava doente e na prisão e não me fostes visitar’.
44E responderão também eles: ‘Senhor, quando foi que te vimos com fome, ou com sede, como estrangeiro, ou nu, doente ou preso, e não te servimos?’
45Então o Rei lhes responderá: ‘Em verdade eu vos digo: todas as vezes que não fizestes isso a um desses pequeninos, foi a mim que não o fizestes!’
46Portanto, estes irão para o castigo eterno, enquanto os justos irão para a vida eterna”.
Escrito por Pe. Henrique às 23h44
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Estudo bíblico-catequético para a Solenidade de Cristo Rei - Ano A
1. Sobre a Festa de hoje:
è Esta Solenidade marca o último Domingo do Ano Litúrgico.
è Depois de termos celebrado na Liturgia o mistério de Cristo nosso Salvador durante todo o ano, agora, neste último Domingo, a Igreja proclama o seu Senhor, Salvador e Esposo como Rei do Universo.
è Cristo é Rei porque é Deus verdadeiro.
è Cristo é Rei porque se fez Servo, dando a vida pelas ovelhas.
è Cristo é Rei porque foi ressuscitado pelo Pai que sobre ele derramou o Espírito Santo, glorificando-o.
è Cristo é Rei porque, à Direita do Pai, é Senhor de todas as criaturas e de toda a história humana: para ele tudo caminha; ele é nosso Juiz e nossa Vida plena.
2. Sobre o Reinado de Cristo:
è Cristo é Rei, mas não reina como os reis humanos. O seu Reino é o próprio Reino de Deus-Pai que ele veio anunciar e inaugurar e consumará no final dos tempos. Leia Mc Mc 1,14-15.
è Este Reino, como diz o Prefácio da Missa de hoje, é “Reino de verdade e de vida, Reino da santidade e da graça, Reino da justiça, do amor e da paz”.
è Seu Reinado manifesta-se na fraqueza e na loucura da cruz: é aí que escrevem: “O Rei dos judeus”. É somente a partir daí que podemos compreender o modo como Cristo manifesta sua presença e seu reinado no mundo: não na força, mas na fraqueza, não na glória, mas na humilhação, não na força, mas no amor... Leia Mc 15,22-26; Jo 18,33-37.
è O Reinado de Cristo não passa por cima da liberdade humana: o Senhor nos respeitará sempre, mesmo quando nossa liberdade é usada para o mal e para nos afastar dele. Seu Reinado não se dá às custas de nossa liberdade e de nossa personalidade... O Senhor propõe; não impõe nunca!
è Proclamar Cristo como Rei exige que nos coloquemos numa atitude de serviço e de humildade em relação aos irmãos e à humanidade: na Igreja reinar é servir – “Quem quiser ser o maior, seja o servo de todos!” (Mc 10,42-25).
3. Quanto à primeira leitura:
è Deus promete vir, ele mesmo, em pessoa, cuidar do seu rebanho. Na Bíblia, o pastor do rebanho é o próprio rei. Jesus é esse Deus-Pastor: “Eu sou o bom Pastor” (cf. Jo 10,11-14). Como pastor ele é rei, rei que dá a vida pelas ovelhas.
è Procure na leitura as passagens que mostram o cuidado do pastor para com as ovelhas.
è Procure também o versículo no qual aparece a função de juiz desse Rei-Pastor.
4. Quanto ao Evangelho, observe:
è Jesus é o Rei-Pastor anunciado por Ezequiel: ele é o próprio Deus que cuida do rebanho e julga entre ovelha e cabrito...
è Observe no v. 32 que Jesus é Re-Juiz de toda a humanidade.
è Ele pode nos julgar porque se fez um de nós por amor (cf. Jo 5,26-27).
è Observe que nossa atitude diante de Cristo – e Cristo presente nos irmãos – definirá nossa situação eterna!
5. Relendo a segunda leitura, pense na realeza de Cristo e observe:
è Cristo é Rei de toda a humanidade e de toda a criação porque morreu e ressuscitou por nós (vv. 20-24).
è A realeza de Cristo é vida para nós: seu reinado é vida e ressurreição para toda a criatura (vv. 24-26).
è A realeza de Cristo é presença do Reino de Deus-Pai, pois foi o Pai que o glorificou e é ao Pai que o Filho feito homem entregará tudo no final dos tempos (v. 28).
è Uma bela síntese da Festa de hoje encontra-se na antífona de entrada da liturgia de Cristo-Rei: “O Cordeiro que foi imolado é digno de receber o poder, a divindade, a sabedoria, a força e a honra. A ele glória e poder através dos séculos”.
Escrito por Pe. Henrique às 23h43
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O Senhor chorou por nós...
Das homilias de Orígenes (185-253), sacerdote e teólogo:
Quando o nosso Senhor e Salvador se aproximou de Jerusalém, ao vê-la, chorou sobre ela: «Se neste dia tivesses conhecido, tu também, O que te pode trazer a paz! Mas isso ficou oculto aos teus olhos. Virão dias para ti em que os teus inimigos te hão de cercar de trincheiras»... Talvez alguém diga: «O sentido destas palavras é claro; de fato, elas realizaram-se em relação a Jerusalém; a armada romana sitiou-a e devastou-a até ao extermínio, e tempos virão em que não ficará pedra sobre pedra».
Não o nego, Jerusalém foi destruída por causa da sua cegueira, mas coloco a questão: não se referem essas lágrimas à Jerusalém em nós? Porque nós somos a Jerusalém sobre a qual Jesus chorou, nós que imaginamos ter um olhar tão penetrante. Se, uma vez instruídos nos mistérios da verdade, após ter recebido a palavra do Evangelho e os ensinamentos da Igreja, um de nós peca, ele provocará lamentações e lágrimas, porque não se chora sobre nenhum pagão, mas sobre aquele que depois de ter feito parte de Jerusalém deixou de estar nela.
As lágrimas são vertidas sobre a nossa Jerusalém porque, devido aos nossos pecados, «os inimigos vão rodeá-la», quer dizer, as forças adversas, os espíritos do mal. Eles colocarão trincheiras ao seu redor; sitiá-la-ão, e «não deixarão pedra sobre pedra». É o que acontece assim que, depois de uma longa abstinência e muitos anos de castidade, um homem sucumbe, vencido pelas seduções da carne... Eis pois a Jerusalém sobre a qual as lágrimas são derramadas.
Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 10h40
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Cristo, o que nos cura da cegueira
Dos Sermões sobre o Evangelho, de São Gregório Magno(540-640), Papa, Doutor da Igreja:
«O homem começou a ver e seguia Jesus dando glória a Deus»
O Nosso Redentor, prevendo que os discípulos ficassem perturbados com a sua Paixão, anuncia-lhes com muita antecedência os sofrimentos da sua Paixão e a glória da sua Ressurreição (cf. Lc 18,31-33). Assim, vendo-o morrer como lhes anunciara, não duvidariam da sua Ressurreição. Mas, presos ainda à nossa condição carnal, os discípulos não podiam compreender estas palavras anunciando o mistério (v. 34). É então que intervém um milagre: debaixo dos seus olhos, um cego recupera a visão, para que aqueles que eram incapazes de assimilar as palavras do mistério sobrenatural fossem sustentados na sua fé à vista de um ato sobrenatural.
É que devemos ter um duplo olhar sobre os milagres do nosso Salvador e Mestre: são fatos que devemos aceitar como tais e são sinais que remetem para outra coisa... Assim, no plano da história, não sabemos nada acerca de quem era este cego. Mas que ele é designado de forma obscura, sabemo-lo. Este cego é o gênero humano expulso, na pessoa do seu primeiro pai, da alegria do Paraíso, que não tem qualquer conhecimento da luz divina e está condenado a viver nas trevas. Contudo, a presença do seu Redentor ilumina-o: ele começa a ver as alegrias da luz interior, e, desejando-as, pode pôr os pés na caminhada de vida das boas obras.

Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 10h23
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Talentos a serem cultivados
Das Homilias de São Gregório Magno, Papa e Doutor da Igreja:
“A todo aquele que tem será dado mais, e terá em abundância, mas daquele que não tem, até o que tem lhe será tirado” (Mt 25, 29).
A todo aquele que tem será dado mais, e terá em abundância, porque aquele que possui a caridade recebe também os outros dons; mas o que não tem caridade, perde inclusive os dons que parecia ter recebido. Portanto, irmãos, é necessário que em todas as vossas ações procureis conservar a caridade.
Ora, a verdadeira caridade consiste em amar nossos amigos em Deus e nossos inimigos por Deus. Quem não a possui perde todo bem que possui; vê-se privado do talento que recebera; e, segundo a sentença do Senhor, é precipitado nas trevas exteriores. Pois tomba, por castigo, nas trevas exteriores aquele que, por suas faltas, tombara voluntariamente nas trevas interiores.
É preciso saber que nenhum preguiçoso estará isento de receio a respeito do talento recebido. Pois não há ninguém, na verdade, que possa dizer: “Não recebi talento algum e não vejo motivo para me esforçar por prestar contas”. Com efeito, sob o nome de talento, são considerados no pobre os menores dons que tenha recebido. Um recebeu a inteligência: está obrigado, por este talento, ao ministério da pregação. Um outro recebeu bens temporais: deve partilhar esse talento distribuindo esses bens. Outro não recebeu o entendimento das coisas espirituais, nem a abundância de bens materiais: aprendeu, no entanto, o ofício que o sustenta, e seu ofício equivale a um talento que recebeu. Um outro nada recebeu de tudo isso, mas terá conquistado a amizade de um rico: recebeu como talento essa amizade. Se, portanto, não fala em favor dos indigentes, será condenado por ter retido o seu talento.
Assim, aquele que tem inteligência, cuide de não permanecer calado; aquele que possui bens em abundância, cuide de não se abster de uma generosa liberalidade; aquele que tem um ofício que lhe dá sustento, reparta largamente com o próximo o desempenho e os frutos desse ofício; o que tem ocasião de falar ao rico, receie o castigo do que retém o seu talento, se não interceder junto dele em favor dos pobres, logo que tenha oportunidade. Pois o nosso Juiz, quando vier, exigirá de cada um o que lhe foi dado. Por conseguinte, para que ao regresso do Senhor cada um esteja seguro quanto às contas que deve prestar do seu talento, que ele se lembre cada dia, com temor, daquilo que recebeu.
Eis que se aproxima o momento em que voltará o que partiu em viagem. Partiu como em viagem, quando saiu da terra em que nasceu a fim de ir para longe; mas voltará em breve para pedir conta dos talentos; e se, como que paralisados, nos abstemos das boas obras, ele nos julgará com rigor quanto aos próprios dons que nos fez.

Escrito por Pe. Henrique às 12h51
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Talentos, frutos e alegria
Das Cartas de São Jerônimo (347-420), presbítero, tradutor da Bíblia, doutor da Igreja:
Este proprietário é, sem dúvida alguma, o próprio Cristo. Após a Sua ressurreição, quando se preparava para regressar vitoriosamente para junto do Pai, chamou os apóstolos e confiou-lhes a doutrina do Evangelho, dando a um mais, a outro menos, nunca demais nem de menos, mas de acordo com as forças daqueles que a recebiam. Da mesma maneira, o apóstolo Paulo afirma que alimentou de leite aqueles que não eram capazes de tomar alimento sólido (1Cor 3,2).
Cinco, dois, um talento – são, quer as diferentes graças concedidas a cada um, quer, no primeiro caso, os cinco sentidos, no segundo, a inteligência da fé e das obras, no terceiro, a razão, que nos distingue das restantes criaturas. «O que tinha recebido cinco talentos fê-los render e ganhou outros cinco». Ou seja, a partir dos sentidos físicos e materiais que tinha recebido, fez aumentar o seu conhecimento das coisas celestes; a sua inteligência elevou-se das criaturas até ao Criador, do corpóreo ao incorpóreo, do visível ao invisível, do passageiro ao eterno. «O que recebera dois talentos ganhou outros dois». Também este, na medida das suas forças, duplicou na escola do Evangelho aquilo que tinha recebido na escola da Lei. Ou podemos dizer que compreendeu que a inteligência da fé e das obras da vida presente conduz à felicidade futura.
«Mas o que recebera um só talento foi escavar na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor». Preso às obras cá de baixo, aos prazeres deste mundo, o servo mau esqueceu os mandamentos de Deus. Notemos que outro evangelista afirma que ele enrolou o talento num pano; podemos entender por isso que suprimiu o vigor dos ensinamentos do mestre com uma vida de moleza e de prazeres.
O Senhor acolhe os dois primeiros servos – aquele que, dos cinco talentos, tinha feito dez, e aquele que, dos dois talentos, tinha feito quatro – com o mesmo elogio: «Vem tomar parte na alegria do teu Senhor», recebe aquilo que «nem o olho viu, bem o ouvido ouviu, nem jamais passou pelo pensamento do homem» (1Cor 2,9). Que recompensa maior se pode dar a um servo fiel?

Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 12h32
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